domingo, 27 de março de 2011

Meia Folha de Papel - August Strindberg


E quando tudo acaba por algum acaso ou fatalidade do destino, será que valeu a pena ter sido vivido? Ele concluiu que sim.

Meia Folha de Papel é um pequeno conto de August Strindberg de apenas três páginas, – metade da folha cada uma – mas que prende o leitor pelo jogo de palavras e a cativa história do inquilino. O conto começa com um jovem rapaz usando um véu de luto no chapéu, andando pelo antigo apartamento e se certificando de que não esquecera de levar nada na mudança.

Na inspeção calma e fria que faz pela casa, encontra apenas uma meia folha de papel, que entre rabiscos revela a breve história que ele viveu naquele apartamento no pequeno, mas feliz espaço de dois anos. Alice foi o primeiro nome que leu. No momento ainda sua noiva, mas já a razão de sua vida. Depois de umas dificuldades, casaram, e os momentos mais felizes eram os domingos em que iam assistir a Opera. Ao ler mais um pouco, uma novidade na vida do casal, o primeiro filho.

Mas a partir daí uma agitação na casa começa. Alice adoece. Farmácia, leite, está no pequeno pedaço de papel como pedidos. A leitura vai ficando difícil nos olhos do jovem rapaz... “não conseguiu ler o que vinha mais adiante, porque seus olhos começaram a se turvar, como deve acontecer aos que se afogam quando tentam ver através da água salgada. Estava escrito: ‘funerária”. Já diz o bastante!

Apesar de ser um conto triste deixa a reflexão de que não importa o espaço de tempo em que somos felizes, pois cada minuto valeu sim a pena. A escrita é melancólica e desperta os sentimentos do leitor. Muito lindo.

Em dois minutos, revivera dois anos de sua vida. Quando saiu para a rua, não estava mais cabisbaixo; pelo contrário: tinha a cabeça erguida como um homem feliz e orgulhoso, pois sentia que, apesar de tudo, havia possuído o que há de mais belo. Quantos infelizes nunca o possuíram!”

Apreciação: 5

[Sendo que: 1-Ruim; 2-Regular; 3-Bom; 4-Muito Bom; 5-Adorei]

2 comentários:

  1. Eu não gosto de livros de auto ajuda. Prefiro ler uma história e fazer minhas próprias reflexões. Acho que seria o caso, se eu lesse esse livro.

    BjoO
    Pri
    Entre Fatos e livros

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  2. Não li o livro do conto, só esse conto mesmo. Não o considerei de auto ajuda, mas depois que vc falou notei que pode ter essa mensagem tbm.
    Bjs

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