terça-feira, 19 de junho de 2012

A Menina que Roubava Livros - Markus Zusak


Composição do livro: uma menina, alguns livros, a Alemanha nazista e a morte. Sabendo que a história seria narrada pela morte, comecei a imaginar uma história perversa, onde a morte, sendo a vilã corre atrás de uma garota indefesa que não teria mais nada como consolo a não ser se refugiar nos livros e, que estes de alguma forma, no final a salvavam da perseguidora. Mas estava enganada em parte. A história de A menina que roubava livros é mesmo triste, mesmo sendo levado por uma escrita quase poética; os livros de alguma forma salvavam Liesel da dor real; mas a morte não seria a vilã da trama. Ela não é a maldosa que a pintam. Ela se mostra até amiga quando vinda no momento em que se está preparado para recebê-la. Mas não esse era o caso da Alemanha de Hittler. Outros apressavam o seu trabalho. Eram outros os vilões da história.

Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependendo de uma gama diversificada de variáveis. Basta dizer que em algum ponto do tempo eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possível. Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em seu ombro. E levarei você embora gentilmente. (pág. 8).

Tudo começa a ser narrado no ano de 1932, quando Liesel, junto com seu irmão, está sendo lavada pela mãe até Munique para serem adotados por uma família. No meio do caminho da viagem de trem o irmão de Liesel falece, sendo enterrado em um lugar qualquer sob a neve. Apesar da tristeza que invade a menina, ali se daria o inicio de seus roubos, com O Manual de Coveiro. Ninguém viu. Só a morte. Esse fato também marcaria o último dia em que veria a mãe, e só mais tarde saberia o motivo. Até então lhe instigava a palavra Kommunist (comunista), não sabia seu significado mais ele estava sempre presente na sua vida e tinha uma pequena relação com o que lhe acontecia.
Chegou, mesmo sem entender direito o motivo, ao seu destino, a Rua Himmel, e lá foi entregue aos Humbermman, Hans e Rosa Hubermman, que seriam a partir daí seus novos pais. No inicio foi muito difícil para Liesel. Os pesadelos com seu irmão morto no vagão do trem e o abandono da mãe vinham toda noite e a faziam se sentir mais sozinha. Mais com o passar do tempo, o carinho de Hans fizeram daqueles momentos da madrugada algo bom, era a segurança de alguém por perto que a fazia bem. Hans é aquele personagem que vai te ganhando aos poucos, por sua alma boa e principalmente, pelo amor  que sente por Liesel e pelo próximo são seus encantos principais. A mãe, Rosa, era mais bruta, nas palavras e na forma como se comportava com Liesel e também com seu marido. A batia e a xingava diariamente. Mas, com o tempo, Liesel foi percebendo que ela também podia ser uma pessoa boa, e que era o jeito dela demonstrar isso; de alguma forma o era. E de alguma forma a menina também sabia que Rosa se importava com ela, e houve situações em que pode comprovar isso.
Lá na Rua Himmel Liesel viveu momentos alternantes entre pequenas felicidades e uma variedade de aflições. Os primeiros momentos citados ficam por conta da vitória de Liesel na realização de seus furtos literários; a aprendizagem da escrita por Hans no porão, (sim, ao chegar á Rua Himmel a menina roubadora de livros não sabia ler. O que lhe instigava no livro era sua capa, a cor e principalmente os fatos que a faziam roubá-lo. Quem a ensinou a ler foi Hans ao encontrar o manual do coveiro embaixo da cama de Liesel, fruto do seu primeiro furto); os jogos de futebol com os meninos do bairro; as horas passadas na biblioteca da casa do prefeito e as “aventuras” que vivia junto ao seu melhor amigo e primeiro amor, o Rudy; e por fim, mas não os últimos, os dias em que conviveu com Max. Quanto aos segundos momentos, se fizeram presentes nas várias sovas que Liesel recebeu de Rosa ou na escola; nas noites de pesadelos; nos dias de pouca fartura; quando percebe a relação dos acontecimentos a sua volta com o führer; a guerra, as bombas e a forma como lhe afetaram; e não por último com a separação de Max.
Max entra na vida de Liesel quando ela já percebe com maior clareza o que era a Alemanha de Hittler e o poder que tinham as palavras. Max era judeu, e por uma promessa do passado feita por Hans a alguém que salvou sua vida, é acolhido pela família, se refugiando no porão da casa, apesar de toda ameaça que o cumprimento dessa promessa representava. Max e Liesel se tornam verdadeiros e grandes amigos. Sim, uma alemã e um judeu se tornavam amigos num porão, unidos pelas palavras e pela causa de suas tristezas.
Depois de passar longos meses no porão da casa de Liesel, Max precisou ir embora por causa da bondade de Hans. Antes disso, Max escreveu dois livros para a menina, contando sua própria história, que é afetada diretamente pela ação nazista e pela amizade de um alemão, e no outro ele fala da amizade entre ele e Liesel. Liesel só o veria de novo algum tempo depois num dos desfiles dos judeus onde lhe narraria a história que fez para ele. Depois de um tempo a guerra nazista chegou mais próximo da Rua Himmel. Esses são os momentos do livro que misturam tristezas, perdas, saudades, demonstrações de afeto de pessoas que Liesel não imaginava, retornos e mais perdas. Nessa época, então 1945, Liesel começa a escrever sua própria história, no mesmo porão em que aprendeu a ler e no qual conviveu com Max. E são novamente, são as palavras que a salvam na destruição imprevista da Rua Himmel.
O livro tem uma escrita leve, doce, mesmo tratando de fatos tão tristes em que nos interrogamos (como a morte faz) de que são capazes os seres humanos. Na medida em a morte vai contando a história ela revela fatos que ainda estão por vir na história, algo que gostei no livro. Liesel é uma graça, pela sua visão do mundo, pelo seu olhar pelas pessoas, e claro seu amor por livros. Mas o personagem que cativou essa leitora aqui foi Rudy, o menino de cabelo verde que queria parecer com Jesse Owens e que se joga em cima de uma menina para protege-la dos golpes da polícia alemã. Isso porque apesar de ser aquele que mete os pés pelas mãos algumas vezes, mostra que percebe muito mais as coisas do que qualquer um conseguisse expressar e claro pelo amor inocente e verdadeiro que sente por Liesel. O livro é maravilhoso, de uma forma bela e triste, que trata com leveza sobre das ações humanas em um contexto em que as cores e o sonho de um menino de dominar o mundo fazem questionar o que é o bicho homem e do que ele é capaz de fazer.

Apreciação: 5
[Sendo que: 1 – Ruim; 2-Regular; 3-Bom; 4-Muito Bom; 5-Adorei]

Dados técnicos:
Editora: Intrínseca
Tradução: Vera Ribeiro
Páginas: 382

4 comentários:

  1. Parabéns pela resenha Izabela! Já li A Menina que Roubava Livros e curti bastante. Beijos!

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  2. Chorei ao final desse livro. Foi bom recordar um pouco mais da história, pois faz tempo que li. Boa resenha, parabéns! :)

    Beijos

    Francine Ramos

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  3. OI Izabela! Ainda não li. Tenho o livro, tenho vontade, mas o que não tenho e me faz falta é tempo. Espero ler em breve, pelo visto é ótimo!

    BjoO
    Pri
    Entre Fatos e Livros

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  4. Simplesmente amei o livro. Me emocionei do início ao fim.A "Morte" sabe como contar uma história! Os títulos, a diagramação, tudo contribui para que a leitura se torna mais prazerosa e flua de forma bem rápida! Zusak está de parabéns!

    Bjos
    http://entrereaiseutopias.blogspot.com.br/

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