segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Uma Rosa para Emily - William Faulkner


Em Uma rosa para Emily, o leitor é conduzido aos aspectos tristes e obscuros que teceram a vida de Emily Grierson. O conto começa no dia do   funeral de Emily, onde todos os moradores  da pequena cidade em que morava se fazem presentes para ver de perto o fim da sua figura mais “ilustre”. A partir daí, o narrador, que no decorrer da leitura faz ter a impressão de ser a voz de toda a cidade ao mesmo tempo em que permite ao leitor se imaginar também parte daquele grupo, vai desmiuçando sobre quem era Emily e os acontecimentos que ocorreram na sua vida. 

Quando a Srta. Emily Grierson morreu, nossa cidade toda foi ao funeral: os homens devido àquela espécie de afeto respeitoso que sentimos por um monumento caído; as mulheres, em sua maioria, movidas pela curiosidade de ver o interior da casa, que ninguém, com a exceção de um velho criado - uma combinação de cozinheiro e jardineiro -, vira nos últimos dez anos.
Era uma casa grande de madeira que um dia fora branca, decorada com cúpulas, sacadas e torres com teto cônico, naquele estilo pesadamente leve dos anos setenta; ficava onde, uma vez, fora nossa rua mais elegante. Mas as garagens e as descaroçadoras de algodão haviam invadido a área, apagando os nomes mais ilustres do bairro. Só a casa de Emily Grierson ficara ali, alçando sua decadência coquete e teimosa por sobre as carroças de algodão e as bombas de gasolina - excrescência entre excrescências. E agora, a Srta. Emily fora se juntar àqueles nomes ilustres, lá onde repousavam, no cemitério assombrado de pinheiros, entre túmulos famosos e anônimos dos soldados confederados e nortistas, mortos na Batalha de Jefferson.”

Depois da morte do pai, que pelas pistas deixadas pelo narrador era severo e rígido demais, Emily se fechou para o mundo, literalmente. Não recebia visitas em casa. A única pessoa que lá entrava era um velho criado, ninguém mais. Até que um dia ela conhece um rapaz por quem se apaixona, e os dois começam a namorar. Então, todos da cidade começam a pensar que aquele seria o impulso que ela precisava para voltar a viver normalmente. Mas não foi bem assim. Um dia, o tal namorado some e ninguém nunca mais ouve falar dele. Emily definha solitária na sua enorme mansão empoeirada despertando sempre a curiosidade e a compaixão ou temeridade de todos da cidade. E no dia de seu funeral, todos ainda conseguem se surpreender com a senhora protagonista quando descobrem o fim que levou o ex-namorado dela e a sua ligação com tal destino.

            Eu gostei bastante do conto. O tempo todo o autor te faz criar projeções sobre a personalidade de Emily, mas em nenhum momento chegamos a uma conclusão definida, nem quando chega o seu final. A escrita do autor é envolvente e prende o leitor desde a primeira linha.  Os fatos contados sobre a vida de Emily são como peças de um quebra cabeça que só final fazem ligações e sentidos. Eles não seguem uma linearidade, os acontecimentos vão surgindo e ressurgindo a partir das lembranças do narrador. Tive que reler o conto para compreender o final, que é inesperado e só depois que você liga as peças e chega a uma interpretação, e a minha foi uma mistura de espanto e incredulidade. No mais, como já falei é muito bom e super indicado!

3 comentários:

  1. Adoro quando os autores usam a capacidade de desenvolver a criatividade através da leitura.
    É muito gostoso quando os leitores chegam a conclusões diferentes ao ler uma mesma coisa.
    Fiqeui bastante curiosa só de ler a resenha, quero muito ler o conto, muito mesmo!
    Espero ue consiga ler em breve!
    Olá!
    Já passei pelo seu blog, segui e deixei o meu comentário! :)
    Qualquer coisa que precise, conte comigo ok?
    Um beijo ;*

    Juliana . Oliveira
    http://trocandoconceitos.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada Juliana. Espero que goste do conto também.
      Beijos!!

      Excluir
  2. gente que dia ela morreu e porque tenho um trabalho sobre ela e preciso da data

    ResponderExcluir

Vamos trocar ideias?