sábado, 15 de agosto de 2015

O Jardim das Cerejeiras - Anton Tchékhov


Nessa peça de teatro acompanhamos a tensão de uma família russa que estão atravessando uma crise financeira.  Os irmãos Liuba e o Gaiév são proprietários de uma casa onde existe um bonito jardim de cerejeiras de onde guardavam boas lembranças dos momentos que viveram ali. Tinham orgulho do jardim por ser muito admirado pelos outros moradores do lugar e meio que representava o símbolo da importância que essa família já teve algum dia. Só que com o passar dos anos acontece uma série de contratempos com Liuba no decorrer da vida que irão comprometer a permanência deles na casa com o jardim das cerejeiras.
No momento que lemos a peça Liuba está regressando a casa trazendo consigo muitas dívidas. Para tentar saldar as dívidas de Liuba a família se vê obrigada a pôr o jardim no leilão. Nos quatro atos em que se transcorre a peça nos vemos como as personagens encaram o conflito, ao mesmo tempo em que vamos descobrindo alguns dos motivos que conduziram a decadência da família até o desfecho da trama.
Esse foi o primeiro texto que li do Tchekhov e gostei bastante da leitura. Com uma escrita simples e direta ele consegue esmiuçar trivialidades do cotidiano dessa família e faz com que nós, leitores, pensemos em coisas que são despercebidas constantemente no nosso próprio cotidiano. Os diálogos são inteligentes, ágeis e ao mesmo tempo em que exploram questões que são pontuais ele explora o instante daquele momento. A gente consegue pensar sobre as ações dos personagens e suas motivações sem julgá-las. Aliás, esse é um dos pontos que mais gostei do texto porque Tchekhov ao retratar as suas personagens ele não os encaixa em “bons” ou “maus”, ele apenas descreve e cabe ao leitor, se quiser julgar seus comportamentos.
O Jardim das Cerejeiras foi a última peça escrita por Tchekhov e muitos criticam o consideram como sua maior obra. A edição que li também traduz outra peça dele o Tio Vânia que trata um pouco da modificação das pessoas diante de situações e do quanto somos imprevisíveis. Gostei muito também. Com certeza fiquei com vontade de ler mais desse escritor russo que retrata a vida de uma maneira peculiar, tanto dramática quanto cômica, tanto previsível quanto surpreendente, com seus heróis e anti-heróis com homens reais.

Dados do exemplar lido:
Editora: LPM
Tradutor (a): Millôr Fernandes
Páginas: 116



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