domingo, 3 de julho de 2016

Angústia - Anton Tchekhóv


Um bom conto para mim é aquele que desperta na gente o mesmo impacto que um romance de 500 páginas. Contos assim permanece nos nossos pensamentos durante dias e nos coloca em reflexão com questões cotidianas que se mostram para nós de outra maneira após a leitura do conto. Alguns dos contos que li e aos quais reagi dessa forma foram escritos por Tchekhóv. Tanto as peças teatrais quanto os contos desse escritor me fazem pensar que as situações da vida são singulares e que por várias vezes não nos cabe estabelecer julgamentos.

Angústia entrou para o rol dos melhores contos que já li. É um conto que oscila entre a delicadeza da forma contada e a melancolia que o envolve. Nós acompanhamos momentos da vida de um homem que está sofrendo pela morte do filho e não tem ninguém para desabafar ou que lhe escute. Começamos a sentir essa apreensão e angústia da personagem que só queria encontrar um colo para chorar. Por ser um cacheiro um de seus passageiros chega a notar o comportamento diferente dele naquele dia, mas está muito ocupado para ouvir o acontecimento.

O conto foi escrito no século XIX e nos é tão presente. Às vezes não queremos tanto, mas acabamos nos diluindo no tanto acelerado que vivemos hoje. É um conto muito bonito por conta da sutileza do tema abordado, e principalmente, pela escrita de Tchekhóv, direta, simples e ao mesmo tempo abrangente e reflexiva.
 
Conto: Angústia de Anton Tchekhóv 
Lido numa versão disponibilizada da internet no scribd.

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